Críticas

Opinião de Críticos

 

Bandeirante das artes, Heinz Budweg revive em suas telas o roteiro dos antigos viajantes do século XVIII

Longe de qualquer acadêmica reminiscência, de qualquer flutuação de corrente artística que contenha, junto aos componentes químicos as componentes cromáticas da realidade exterior, Heinz Budweg associa a análise da cor à análise da visão.

Não há dúvida quer a cor é para o artista um dado essencial da percepção enquanto fator extremamente complexo que investe toda a sua temática ao mesmo tempo que o enfocado em relação ao espaço, a luz, ao movimento, a variação das cores segundo as incidências da luz, a própria percepção da cor finita, do observador da obra.

O todo é obviamente ligado também a um interesse de determinação espacial e ao valor atribuído às formas descritas em relação ao espaço, isto é, variando as cores de conformidade com os módulos de luminosidade diversificada.

Através de uma linha pós-expressionista, Heinz Budweg tende a uma espacialidade da cor que coincide com a conquista de sua tonalidade geral. Esse discurso pode ajudar o observador a compreender como suas obras tem um contexto unitário, isto é, se solucionam num tom geral, diretamente correlato à disposição psicológica final de uma análise interpretativa da realidade passada pelo filtro do sentir do artista.

Sua mensagem artística se desenvolve num crescendo de tonalidades expressivas para ressaltar uma linguagem diversificada e sugestiva, mas sempre autêntica de valores humanos e poéticos.

Suas paisagens, suas figuras, a flora e a fauna amazônicas são de rara autenticidade interpretativa e transformam o artista num verdadeiro bandeirante da arte qual os antigos viajantes que aqui acorreram no século XVIII na busca do Eldorado.

 

Através das obras “Em busca de Manoa: a epopéia dos bandeirantes” e “O Mulato” doadas ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, o pintor colhe a essência das coisas, interpreta a natureza e faz reviver as sensações que cada um de nós prova quando parte à descoberta deste continente tropical chamado Brasil”.

(Emanuel von Lauenstein Massarani – Curador da Galeria de Arte da Assembléia Legislativa de São Paulo/2007)

 

A saga de uma paixão pelo Brasil

“Uma orquídea nasce em Berlim. Não cai neve na Amazônia. Apesar dos passaportes, das fronteiras, das raças e dos idiomas, a Terra é o habitat natural e total do homem. Nosso inconsciente sabe disso e é por essa razão que amamos o contrário do que somos. E buscamos aquilo que está do outro lado da nossa geografia, ao redor do nosso corpo, mas não  do espírito.

O Brasil foi descoberto por europeus. Fascinados com a abundância e exuberância do Novo Mundo, eles foram cruéis com os seres humanos, a fauna e a flora que aqui encontraram. A redenção se deu séculos depois quando expedições científicas e artísticas vieram para cá, redimir os excessos cometidos. De Debret e Rugendas todos eles se preocuparam em “fotografar” nossa realidade. A flora ainda estava intacta, mas os índios já eram aculturados. Artistas da França e da Alemanha e até da Inglaterra retrataram nossos usos e costumes. E fizeram de maneira cenográfica. Suas obras, minuciosas, ficaram como documentos utilíssimos de um tempo acabado que a Humanidade, agradecida, reverencia hoje. Mas há nessas obras, de maneira genérica, algo de telão operístico. Procurou-se ordenar o caos selvagem em moldura dourada (e nem poderia ser de outro jeito, afinal, era o encontro do Barroco europeu com o Barroco (natural) do Brasil. Uma osmose recíproca.

Há um polonês tímido, mas bravo quando ferido em seus direitos e verdades ecológicas, chamado Frans Krajcberg, que vive, hoje, na Bahia,

 

nordeste brasileiro. Ele mora numa casa construída sobre o tronco de uma árvore gigantesca. É artista plástico (talentosíssimo) e costuma dizer que a natureza é maior e mais forte do que o homem. E isso só se descobre numa relação íntima com ela e com sua força.

Heinz Budweg tinha 13 anos de idade quando veio ao Brasil. Hoje, ele é (sem dúvida) o alemão mais brasileiro que o Brasil tem. Nem ele sabe disso. Mas eu posso afirmar porque sei o que digo.

O que o difere dos seus ancestrais que documentaram o Brasil antigo e extinto, é que Heinz não faz telão operístico. E mesmo tendo sido publicitário anteriormente, não faz, agora, pintura publicitária como acontece, por exemplo, hoje em São Paulo, com outros artistas – publicitários europeus, notadamente, os espanhóis.

Heinz Budweg tem vocação para o mural. É um pintor-cineasta que ama as multidões. Sabe desenhar, percebe-se isso no esboço de uma tela em seu estúdio na Serra da Cantareira, onde o ar de São Paulo (ainda) é puro.

Heinz pinta com camadas grossas de tinta e é um pintor, não um ilustrador. A sua ansiedade existencial está expressa é nas cores tão brasileiras, tão tropicais, tão exuberantes que só mesmo um alemão de Berlim, onde não nasce uma orquídea, poderia imaginar.

Heinz pinta com força, como se fosse possível pintar a música arrebatadora. Seus azuis tão pessoais, lindíssimos, são, ao mesmo tempo, luz, transparência, brilho, reflexo e magia. Quem, senão ele, poderia inventar bananeiras vermelhas, douradas, atrevidas e tão brasileiras? Os índios que ele conhece e retrata já não são antropófagos e nem trocam, com o homem branco, cocares por espelhinhos. Índios, no Brasil, querem, em tempos de Internet, é telefone celular. Mas a maestria de Heinz Budweg nesse contato humano e direto com os nossos índios está em saber extrair deles o que restou de pureza e inocência ancestrais e primitivas. Ele capta a beleza expressionista dos gestos da vida vegetal e humana e o olhar (triste) e duro dos homens da selva.

 

Heinz Budweg é um maestro solitário regendo uma orgia de cores e luz tropicais, em pinceladas rápidas, precisas, decididas. O seu corpo é alemão, veio de Berlim. Sua alma é uma orquídea (rara) da Amazônia. E sua arte rasga passaportes inúteis e zomba das fronteiras. Heinz Budweg é universal, aleluia!”.

(Olney Krüse – Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/1995)

 

“Ele entrou em comunhão com a natureza do Brasil, que posa para seus pincéis como não posa para mais ninguém. E, se entrou em comunhão, é porque captou a sua alma e faz parte dela como se fosse ele mesmo uma folha, uma palmeira ou uma flor. Hoje, quando Budweg pinta uma paisagem, pinta olhando para dentro de si, para o mais profundo do seu ser. Ali estão os trópicos, ali está o canto da patativa e o rosnado do caititu. E, desse modo, tanto ele pode pintar um recanto no alto Xingu à beira do rio, como pode pintar esse mesmo recanto em atelier do Tremembé da Cantareira. Não importa. Sempre será Brasil, sempre haverá som de tambores indígenas e gorjeio de pássaros silvestres...”.

(Henrique Mateucci – Editor do Diário Popular, poeta, escritor e crítico de arte/1994)

 

“...sua obra é um grito no deserto!”

(Albert Kerber – Associação de Artistas Plásticos da cidade de Frankfurt/1994)

 

Uma nova visão dos trópicos

“No século XIX vários naturalistas e artistas alemães estiveram na América Latina desenvolvendo atividades de pesquisa e documentação. Estas viagens foram incentivadas pela expedição que Alexander von Humboldt empreendeu a vários países da América espanhola, de 1799 a 1804. Acompanhado pelo botânico Aimé Bompland, Humboldt realizou uma expedição de 65.000 quilômetros pela Venezuela, Colômbia, Equador,

 

Peru, México e Cuba. Sua permanência no Brasil foi irrelevante e conflituosa, pois o governador do Pará o impediu de penetrar e explorar a floresta Amazônica.

De volta à Alemanha, Humboldt começou um extenso trabalho de divulgação de suas observações. A publicação de “Viagem de Humboldt e Bompland” despertou enorme interesse em relação à misteriosa, tropical e longínqua região que haviam pesquisado. Humboldt, um misto de geógrafo, naturalista e artista, estava convencido de que arte e ciência podem ser atividades complementares e sinérgicas. Ele acreditava que a pintura paisagística européia poderia renascer quando artistas de grande talento pudessem “captar em seu vigor a natureza de múltiplas faces nos úmidos vales do mundo tropical”.

Na esteira da expedição de Humboldt, outros alemães se animaram  a atravessar o Atlântico e a se embrenhar em terras sul-americanas, movidos pelo amor ao conhecimento, à descoberta, ao inusitado, tangidos pelo espírito de aventura. Entre eles figuram Adalbert, Bauch, Burmeister, Ender, Fleiuss, Grimm, Groshof, Goering, Hagedorn, Hildebrandt, Keller- Leuzinger, Krumholz, Martius, Planitz, Poeppig, Rugendas, Spix, Steinen, Wied. Estes alemães tinham formações diversificadas. Entre eles havia artistas plásticos, médicos, ornitólogos, engenheiros, botânicos e até um príncipe (Maximilian zu Wied). Deixaram obra extensa, fundamental para o conhecimento da América Latina em geral e do Brasil, em particular, naquele período.

No século XX muitos outros alemães imigraram para o Brasil, fixando-se principalmente no sul do país. Em 1953 aportou aqui um adolescente que não veio atraído pela exuberância da natureza tropical, pois pouco sabia dela aos 12 anos de idade, mas acompanhando seu pai arquiteto que, tendo participado de duas guerras, almejava viver num país distante dos grandes conflitos mundiais: Heinz Budweg. Com o tempo, porém, se transformaria num dos mais lídimos herdeiros da tradição naturalística alemã no Brasil.

 

Personalidade temperada num ambiente familiar humanista e com forte tendência artística – seu bisavô materno foi diretor da Escola de Belas Artes de Riga, na Rússia e seus antepassados, pelo lado paterno, sempre se interessaram pela arte, razão pela qual seu pai acabou diplomando-se em arquitetura – Heinz Budweg se interessou desde cedo pela flora e pela fauna brasileiras e por nossa cultura indígena. Redigiu, ilustrou e editou uma longa série de livros sobre o Brasil, para crianças e adultos, o último dos quais “O País dos Tupinambás”. Estas publicações documentam, analisam e transcendem uma realidade negligenciada pela maioria dos brasileiros, mas que foi estudada detalhadamente e exemplarmente compreendida por este alemão que hoje se dedica a pesquisas antropológicas e etnográficas.

Como artista plástico – e esta exposição é prova eloqüente disto – Heinz Budweg é um profissional bem aparelhado, conhecedor do instrumento de seu ofício. Ao realizar sua obra, referenciada na paisagem brasileira, em nossa flora riquíssima, em nossa fauna e na figura do índio, ele assume uma postura diferente daquela de Humboldt e dos que lhe sucederam, no século passado, em seus trabalhos artísticos, que tinham uma nítida preocupação documental e científica. Heinz Budweg realiza uma obra autônoma a partir da referência brasileira. Uma obra que se aproxima das formas originais, mas que explode numa sinfonia de cores descompromissadas com a realidade, que ele acentua. Por isso, Heinz situa-se no campo da verdadeira arte, que cria sua própria realidade. Um admirável mundo novo...utilizando a aquarela, Budweg produz não raro paisagens de cores baixas, rarefeitas, líricas, que contrastam com o vigor de seus óleos. Quando aproxima-se de seus motivos florais, todavia as cores sobem, mas não muito. Os contrapontos tornam-se delicados, envolventes, musicais. Do ponto de vista plástico, é neste domínio que Heinz colhe alguns de seus frutos mais maduros. Mas é no âmbito da cultura de nossos índios, sobretudo dos Kalapalo, dos Xavante, dos Pataxó, que ele vem produzindo sua obra mais ambiciosa. O painel

 

Kwarup – Morte e Transfiguração é o melhor exemplo do resultado do contato de Budweg com a cultura indígena...”

(Enock Sacramento – Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte/1987)

 

“Dramática, estrondosa, delicada, surpreendente às vezes, quase óbvia outras, mas sempre forte”.

(Van Acker – artista plástico e crítico de arte/1986)

 

“...Descrever as raízes brasileiras e voltar às origens alemãs é sabedoria! Apesar dos poucos anos que nos conhecemos a amizade é suficiente para reconhecer, como artista, na preocupação com o supérfulo, o banal, aquilo que dá sentido à vida: a beleza. Aqui lembro os filósofos antigos: ‘o belo é o esplendor da verdade!”

(Cláudio Pastro – Artista plástico/1985)

 

“...os    quadros   de   Budweg   são   quadros   pacíficos,                      aquarelas, desenhos e pinturas, bicos...onde o artista elimina a agitação humana, os contrastes sócio-econômicos e as angústias do mundo atual. Quem nos fala são os indígenas e seu mundo intocado pelo homem civilizado”. (Guenter Balhausen – Frankfurter Allgemeine/1983)

 

“...a nova geração encontrou em Heinz Budweg um dos seus mais legítimos representantes, que com seu estilo característico consegue transmitir as mais exuberantes imagens, cheias de vida e calor”.

(Enzio Luiz Nico – Professor de Arte – São Paulo/1982)

 

“São raros os artistas que conseguem relatar a paisagem com tanta autenticidade. Os desenhos de Budweg revelam sua capacidade de observação e domínio dos recursos técnicos do desenho artístico...o caso Budweg constitui, sem dúvida, uma das mais agradáveis revelações no

 

campo artístico brasileiro, abrindo perspectivas muito promissoras para o futuro”.

(Mussio Ferreira – Crítico de Arte da Folha de São Paulo/1968)

 

“...Budweg é um jovem artista, que muito impressionado com a grandeza da paisagem brasileira, observa em suas pinturas mais a cor do que propriamente a forma. Nota-se influências de Van Gogh e Emil Nolde...”.

(Dra. Lisetta Levi – Crítica de arte da Pró-Arte de São Paulo/1967)

 

“...os quadros de Heinz refletem a vitalidade e paixão pelo movimento, embora sentimos que ele procura a forma definitiva para sua expressão...dessa procura é que depende a filtragem do colorido, a contenção de sua pincelada, quase que atabalhoada e, por que não dizer: Budweg tem talento, é pintor...mas precisa conter seu entusiasmo e distanciar-se muito da habilidade”.

(Quirino da Silva – Crítico de arte dos Diários Associados/1967)

 

“Os gigantescos quadros de Budweg um impacto de imensa intensidade pelo seu realismo obtido por uma combinação feliz de elementos decorativos e pictóricos numa verdadeira explosão colorida. Os cocares amarelos dos Mehinaco e dos Kalapalo se transformam nos quadros em condimento precioso, assim como os próprios objetos expostos, culminando numa dramaticidade visual que se enquadra magnificamente no caráter museal da exposição”.

(Johann Michael Möller/Frankfurter Allgemeine – sobre as pinturas de Heinz Budweg no Museum für Völherkunde, em Berlim, por ocasião da exposição sobre os 100 anos da descoberta dos Índios do Xingu)

 

Opinião do Público

“Este pintor consegue criar algo com o pincel e a tinta que agrada aos olhos tanto como uma boa música agrada aos ouvidos”.

(Veli Naef – pintor/Zurique)

 

“Heinz, thank you very much. You show how Brazil is in reality. You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one!”

(Cônsul do Canadá – exposição realizada em Munique/1995)

 

“Apesar de conhecer as obras de Heinz Budweg a menos de uma hora, só posso definir o seu trabalho como surpreendente. Nunca vi tanto vigor e paixão pelos temas brasileiros em nenhuma obra de outro artista brasileiro. E faz que nós, natos, nos envergonhemos de nossa falta de paixão pelas nossas coisas”.

(Telma Eloísa – Londrina/1995)

 

“Finalmente um alemão conseguiu ver o Brasil! Parabéns, o seu trabalho é fabuloso!”

(Brasília/1995)

 

“Seu trabalho nos traz um mundo mágico, há muito perdido e esquecido por nós”.

(Brasília/1995)

 

“A mostra de Budweg é uma expressão de espírito pacífico do pintor, uma obra sem malícia e sem polêmica. Uma humilde mensagem de amor”. (Geraldo A. Muzzi – Cônsul Geral do Brasil em Munique/1994)

 

“Cheguei a sentir o calor do sol nos seus quadros”.

(Cônsul Geral do Brasil – Frankfurt/1994)

“Estes quadros são um convite para conhecer o Brasil”.

(Olívia van Caspel – Frankfurt/1994)

 

“There is so much to see in your pictures if you just let your imagination run wild. They’re absolutely beautiful!”

(Else Niffha – Expo American Elementary and High School)

 

“Gostei muito do seu modo de retratar o nosso Nordeste, principalmente, as cores. A simplicidade dos quadros, apesar de em muitos deles haver uma profusão de cores, transmite uma calma e sossego no ambiente, que reflete a simplicidade das terras e da vida do interior brasileiro. Todos os quadros transmitiram beleza e autenticidade intensa, sem ressalvas. Sinto apenas que tanta sensibilidade e percepção do meio não sejam provavelmente capazes de tocar e mudar esse comportamento grotesco e poluidor ambiental e mental de nossa sociedade. Porém, esse fato não tira nem um pouco o mérito do objetivo e da obra em si”.

(Aluno do Colégio Visconde de Porto Seguro – exposição em São Paulo/SP)